Planejamento de carreira em tempos de globalização!
Autor: Alberto Carlos Paschoaletto
Consultor de recursos humanos graduado em ciências jurídicas e sociais, pós graduado em gestão empresarial, pós graduado em estratégia de pessoas
Nesse novo ambiente, os profissionais não podem depender unicamente do planejamento de carreira elaborado pelas organizações. Aliás, muitas vezes, esse planejamento é conduzido de forma dissonante e, divorciada da natural vocação de seus colaboradores, até porque são poucas as organizações que possuem um estilo de gestão de pessoas eficiente. Portanto, o planejamento de carreira cabe aos profissionais, que são os únicos responsáveis pelo planejamento e gestão global da sua própria carreira.
O que isso significa? Que você profissional globalizado, precisa criar ou reinventar sua própria vida, carreira e sucesso. Não deixe isto para as organizações, sei que este artigo pode ser e parecer contundente. Você pode até espernear, protestar e gritar contra esse novo mundo, mas há apenas uma mensagem a aprender: os profissionais da atualidade têm de se habituar a trabalhar neste novo conceito, por conta própria, até porque, estamos vivendo a extinção do emprego e o surgimento de carreira solo, ou seja, o novo enfoque está para o trabalho, sem as garantias do emprego e os mais capazes e inovadores, já fazem isto.
A carreira global exige de todos os profissionais - do operário ao presidente - uma mente aberta, coragem para abraçar as mudanças e comprometimento na aquisição de novos conhecimentos, dia após dia, pois vivemos a era da informação. É a velocidade de inovação e adaptação ao uso vencendo o tamanho e a grandeza organizacional, eis alguns passos na formulação estratégica de uma carreira em tempos de globalização:
1. Mantenha as variáveis de sua carreira sempre abertas. Essa atitude se manifesta pela falta de atenção a mudanças que se passam nas organizações e no mercado de trabalho, demandando cada vez mais por inovações e mudanças estratégicas.
Nos últimos anos, muitas pessoas tiveram "surpresas" vendo sua carreira interrompida ou sucateada, simplesmente porque achavam que as coisas permaneceriam para sempre como no passado. Precisamos entender que a globalização trouxe a necessidade de mudanças e de desenvolvimento ininterruptos, e as pessoas resistentes a essas mudanças não foram capazes de ver e perceber com clareza os sinais que se descortinavam no horizonte, antecipando-se a essas mudanças.
Simplesmente esqueceram de abrir as janelas da razão, ampliando o horizonte da visão (informação não falta), para captar a nova realidade do mundo globalizado e as implicações em sua carreira, antever as mudanças e desenvolver estratégias de sobrevivência.
2. Não ter medo das mudanças. Você deve estar sempre alerta para as mudanças e não ter medo de implementa-las, vejamos este exemplo: O patriarca da família "Wallendas Voadores" (equilibristas que atravessavam alturas assustadoras, sobre uma corda), o velho Karl, tinha 70 anos de idade, quando se projetou de 40 metros de altura para a morte.
Ele tentava atravessar por um cabo à distância entre dois prédios de escritórios em Porto Rico. Posteriormente, sua mulher revelou que, antes de tentativa, o velho Karl confessou que estava com medo de não completar o percurso. Na hora de demonstrar sua comprovada perícia, ele sofreu uma queda fatal, porque ao invés de se concentrar em chegar ao outro lado, concentrou-se em como não cair.
Na atual conjuntura do mercado global, há uma "surpresa" em cada esquina: uma nova tecnologia, processo, produto, pessoas, etc. Portanto, é imprescindível que o profissional concentre suas energias, habilidades, talentos e esforços em ganhar competitividade no mercado de trabalho.
3. Mantenha-se aberto à aquisição de novos saberes e novas competências. Vivemos atualmente, os impérios da mente - conhecimento, informação e tecnologia. Esse conceito de poder é uma afirmação que nunca foi tão verdadeira, como agora. A complexidade das organizações e seus modelos de gestão e do mercado de trabalho global exigem um comprometimento com o estudo sistêmico permanente e a disposição para o aprendizado de novas habilidades.
Precisamos entender que o planejamento de carreira em épocas da competência questionada e do homem na sua visão holística (constituído e avaliado por sua capacidade de Saber Ser, Agir e Fazer). Conseqüentemente, quem ambiciona uma carreira global de sucesso haverá de manter os livros sempre abertos e as mentes inquisitivas e criativas, com grande capacidade de comportamento interpessoal, adquirida pelo desenvolvimento das múltiplas inteligências.
Pelo estudo e aprendizagem constante, temos a possibilidade de abrir nossas mentes, de superar os limites mais ou menos estreitos de nossos pensamentos cosmopolitanos e bairristas, de enriquecer-nos humanamente, por meio de conhecimentos mais apurados sobre o mundo e sobre nós mesmos. Sem aprendizado contínuo, qualquer que seja o know-how aprendido, ele ficará obsoleto em seis meses ou menos. Como dizia Catão, célebre por suas convicções no senado romano, "sem aprendizado contínuo, a vida é apenas uma imagem da morte".
Na verdade, o mundo globalizado exige um planejamento de carreira dinâmico e mutável, deixa de ser responsabilidade organizacional, transferindo às pessoas sua constante necessidade de aprendizagem e, isto envolve, intrinsecamente algum trauma. Requer esforço em tempo integral, dedicação e abandono de premissas conservadoras, conceitos envelhecidos e informações ultrapassadas e emboloradas.
Por outro lado, percebe-se na grande maioria dos profissionais, um status qüo conservador, resistente e endêmico e, o medo de aprender a aprender o novo. O que mudou na relação do homem com o conhecimento? A resposta é clara, mas nem sempre está sendo posta em prática nas ações do dia-a-dia, a revolução da informação que vem se acelerando nos últimos anos será muito benéfica para o desenvolvimento de nossa sociedade, mas não se concretizará se não conseguirmos dominar a equação informação-conhecimento-sabedoria.
Hoje o conhecimento não pode mais estar restrito a círculos acadêmicos e culturais: Ele precisa estar nas atividades empresariais e comerciais. É isso mesmo, ainda que os puristas protestem, o conhecimento invade o mundo comercial e organizacional e passa a ser a única alternativa para o desenvolvimento das pessoas, empresas e das nações.
Nada ilustra melhor essa tendência ou característica do mundo globalizado, de superficialidade que a proliferação de "gurus", muitos deles mais superficiais do que aqueles a quem, supostamente, pretendem ensinar e desenvolver. Portanto, acredite em você mesmo e, no seu potencial, não espere que alguma organização assuma a responsabilidade do seu sucesso, isto porque, estas organizações estão hoje, em irreversível processo de sucumbência e de nada vai adiantar você ficar chorando, andando na contra-mão desta história...
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