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Empresas socialmente responsáveis. Um sonho ou realidade?

Autor: Rosa Helena D'Almeida
Diretora da TALENTS


Atualmente muito se tem discutido sobre a atuação das empresas no contexto social, como uma forma de se tornarem empresas cidadãos.

Talvez a origem dessas questões remonte ao hiato tão grande existente entre as características das organizações modernas e as grandes distorções sociais e econômicas presentes na nossa sociedade. Esse hiato faz gerar um certo desconforto, uma espécie de sentimento de culpa capaz de mobilizar as pessoas no sentido de redescobrir a sua "vizinhança", tratando-a de maneira atenta e responsável.

Entretanto, defrontamo-nos com expressões de incredulidade ou de ceticismo, como se fosse irreal ou impossível a companhia cumprir com esses compromissos. Penso que não se trata de filantropia pura, mas alinhada a um marketing social, as empresas devem identificar aquela causa de interesse social mais relevante para o seu público objetivo e que seja coerente com os valores de suas marcas.

No Brasil, já existem empresas sensíveis a situação social , incentivando e apoiando projetos sociais. É a demonstração de maturidade empresarial influindo positivamente na sua imagem perante o mercado. Estas empresas mostram sua preocupação com o bem estar da comunidade onde estão inseridas, criando programas para que interna e externamente sejam identificadas como empresas cidadãos.

A valorização das pessoas, a solidariedade, a ecologia e a globalização das relações sociais são focos desses projetos.

Vejo que cada vez mais pessoas na sociedade estão desejosas de uma mudança social , seja nos seus estilos de vida, na economia e em seus sistemas sociais, em suas crenças e valores. Mudar a forma com que os indivíduos e os grupos desenvolvem suas vidas, transformando práticas danosas por outras produtivas, é sempre um desafio.

Modificando as atitudes e os valores nas comunidades, criando novas tecnologias sociais que possam introduzir as mudanças desejadas e elevem a qualidade mental das pessoas.

Naturalmente, as empresas que desejem se engajar nesta proposta de empresa cidadã, não podem perder de vista suas práticas internas, que devem estar coerentes com suas intenções. Portanto uma empresa socialmente responsável é aquela que além de ser ética nos seus negócios, preocupa-se com questões como a saúde, alimentação, educação e desenvolvimento de seus funcionários. A não exploração do trabalho infantil, a liberdade de associação e negociação coletiva, respeita a jornada de trabalho e possuem um sistema de gestão adequado.

Mas, questionamentos à parte, percebo haver um forte consenso acerca do futuro das organizações capitalistas apontando para uma maior preocupação com a ordem social e política e para uma maior integração entre os diversos segmentos da sociedade. Isto me leva a pensar que estamos entrando em uma nova era de esperança, como diz o nosso novo presidente!

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