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A ilusão das Palavras: o desemprego no contexto da globalização

Autor: Marisa Mokarzel
Professora da Universidade da Amazônia - UNAMA
Pesquisadora do Sistema Integrado de Museus - SIM

A questão do desemprego costuma ser uma constante nos programas eleitorais e tal atitude atesta a gravidade da situação de um país que não se encontra incluído entre aqueles que ditam as normas da globalização. Ao contrário, inserido em um processo econômico e político organizado em rede, o Brasil vê-se obrigado a lidar com padrões administrativos impostos pelo mercado mundial e a participar da competição global em meio as contradições de um país não homogêneo, composto por cidades inseridas em realidades bastante diferenciadas.

Tal complexidade nos conduz à tentativa de refletir sobre algumas questões que, se não apresentam soluções, podem contribuir para que se pense sobre o atual momento. É importante observar que na administração global o planeta é visto como um mercado único, por isso aposta na produção de objetos que independem da territorialidade ou do padrão de gosto de cada região. Os computadores, os cartões de créditos, as bonecas Barbie são exemplos de produtos que se espalham pelo mundo e se infiltram em qualquer cultura, mesmo as mais diferentes e distantes.

Em geral, as grandes empresas transnacionais funcionam de forma sistêmica, com novos tipos de controle, "não mais centralizados como as antigas 'multinacionais', mas materializadas em 'núcleos globais de decisão', agora isolados do contexto geográfico, compostos por executivos de nacionalidades diversas, e munidos de um complexo instrumental de comunicação." Espalhadas pelo mundo, essas empresas organizam-se em redes e uma palavra destaca-se em seu vocabulário: flexibilidade. Esta palavra mágica que significa a qualidade daquilo que é maleável ou daquilo que pode dobrar-se com facilidade, logo adquire um outro significado: o de independência.

Com as mudanças advindas dos avanços tecnológicos e dos processos econômicos vigentes, que exigem mobilidade para que um maior número de produto circule, com agilidade, pelos mais diversos lugares, houve a necessidade de se distanciar cada vez mais dos trabalhos rotineiros e mecânicos, altamente controlados, adotados anteriormente. E assim surgiram as formas de organização mais flexíveis como solução libertadora das rígidas estruturas hierárquicas. Mas, "a repulsa à rotina burocrática e a busca da flexibilidade produziram novas estruturas de poder e controle, em vez de criarem as condições que nos libertam."

O que poderia significar, e significa, um passo adiante em relação a rigidez burocrática, também pode embutir uma intenção nada libertadora. As empresas transnacionais não se agrupam de acordo com a nacionalidade, mas se fundem conforme o poder econômico, conforme o interesse de mercado. E do centro de seus conglomerados, dos seus "núcleos globais de decisão" procuram controlar a economia de países que não comungam dos lucros provenientes desta competição global acirrada e injusta. Realizada em condições desiguais.

Essa lógica de domínio e poder transfere-se para a situação interna brasileira. A instabilidade e a insegurança são vividas pelas ameaças de desemprego, pela competição acirrada em função da conquista por um lugar no dito mercado flexível, que muitas vezes oferece não a ação libertadora, mas o destino injusto de curvar-se diante da falta de opção mercadológica, aceitando pequenos salários, ou vivendo na angústia do desemprego, ou do próprio negócio desfeito. Portanto, não é de se admirar que em tempo de eleições, as promessas de emprego sejam contabilizadas como uma das fontes mais eficazes para angariar votos.

Pode-se refletir sobre todas essas questões e ficar atento sobre qual dos sentidos a flexibilização assume no discurso e na trajetória dos que dirigem ou pretendem dirigir o país, se o de falsa libertação ou o de uma nova proposta que enfrente as diversidades e proponha o trabalho digno, onde se contemple não apenas o desenvolvimento, mas também as questões sociais, respeitando a integridade do outro e restabelecendo as relações de confiança.

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