A espiritualidade nas empresas
A época natalina costuma tornar as pessoas mais sensíveis e reflexivas. Os hábitos mudam, as pessoas tornam-se mais generosas, mais compreensivas, com a espiritualidade a flor da pele. É um comportamento comum nesse período do ano, seja nas ruas, nas lojas, no ambiente familiar e nas empresas também.
Para falar de espiritualidade é preciso antes entender seu significado. O radical da palavra significa, espírito. Espírito, no dicionário Aurélio, é a parte imaterial do ser humano, a alma. E alma, também no Aurélio, representa:
......Princípio de vida. Entidade a que se atribuem, por necessidade de um princípio de unificação, as características essenciais à vida e ao pensamento. Princípio espiritual do homem concebido como separável do corpo e imortal. Sede dos afetos, dos sentimentos, das paixões. Sentimento, generosidade, coração, espírito. Condição primacial. Essência.
A grosso modo, pode-se dizer então que a espiritualidade trabalha ou desenvolve o espírito e a alma. Essas duas palavras em suas origens significam "sopro". Desde os primórdios quando a humanidade se deu conta de que pode pensar, o pensamento caminhou em duas direções: o concreto, que envolve tudo que pode ser explicado por meio da ciência; e o abstrato, que requer a crença em algo que não pode ser cientificamente demonstrado. Com o passar dos anos a evolução do conhecimento permitiu que um interferisse no outro. A meteorologia, uma ciência, provou que a chuva e o trovão não eram prerrogativas dos deuses. A astronomia, mostrou que o sol e a lua não eram manifestações divinas. Porém, por mais que tenha evoluído, a ciência está longe de ser absoluta e equacionar todas as dúvidas, daí vem a espiritualidade: o "sopro" que ajuda a compreender o inexplicável, que em sua forma mais pura, continua a ser o que existe dentro de cada pessoa, independente do fato dela ter ou não optado por qualquer culto, seita, doutrina ou religião.
É justamente esse sopro que as empresas estão à procura, tentando estimular e fazer brotar nos corações de seus empregados, transformando o discurso da solidariedade e união, em ações práticas. Com um ambiente melhor, uma cooperação maior entre as pessoas, atitudes menos individualistas e um espírito "natalino" - ainda que em épocas de festa junina - tudo se torna mais fácil e os resultados positivos vêm como conseqüência.
A fala é bonita mas, incentivar a espiritualidade nas empresas, não é um caminho fácil, porém, quando alcançada, os benefícios costumam ser surpreendentes. A sensibilização é a grande saída, não há como impor esse tipo de atitude. Palestras, debates, fóruns de discussão e entendimento, são algumas das medidas de estímulo que facilitam o processo. Outra forma, é criar ambientes propícios para sessões de relaxamento, sala para meditação individual, onde a paz, o silêncio, a luz difusa e a ausência de símbolos religiosos, ajudem a pessoa a entrar em contato com seu lado espiritual.
Há de se perguntar por que as empresas estão se preocupando com isso? Sem dúvida nenhuma, entre outros fatores, para compensar a pressão cada vez maior sobre seus funcionários. Porque na verdade, aqueles que acreditam que estão na empresa apenas para receber o dinheiro, no final do mês, estão fadados a sucumbir no estresse. Como diz Max Gehringer, escritor e consultor corporativo: "Quem acredita que há mais coisas nesta vida além da vã filosofia salarial, tem mais chances de se tornar uma pessoa melhor". É esse tipo de profissional que fará a diferença numa empresa "espiritualizada".
A princípio, isso tudo pode parecer utópico e desnecessário, até mesmo contra producente, mas cabe ressaltar que é uma tendência e que as organizações vão precisar se preparar para essa nova realidade. Ambientes como esses precisam ser conquistados. A cultura da empresa tem que estar alinhada e a maturidade do grupo trabalhada. De nada adianta ter uma sala de meditação, se os empregados são tratados sem nenhum respeito em seu dia a dia. Assim como as chances são pequenas, se o clima predominante for de desconfiança ou perseguição. Nesse caso, o discurso conflitará com a prática e muito provavelmente o resultado será outro. Portanto, se sua empresa acredita na espiritualidade como uma forma de melhorar o clima e aumentar a produtividade da equipe, comece por praticá-la.
A vantagem nessa nova filosofia, mesmo para aqueles que não levam muita fé, é que se não fizer bem, mal não fará. Então, que tal aproveitar a época natalina para exercitar mais sua espiritualidade com seus amigos, familiares, conhecidos, desconhecidos ou com sua equipe de trabalho? O importante mesmo é ser FELIZ! No mais, que o espírito de Natal tome conta de nossas vidas, nossos corações, nossas almas. Que ele invada as ruas, os campos, as casas, as empresas. Que ilumine esse "país que se chama Pará", esse mundo chamado Brasil, trazendo PAZ a todo o universo! FELIZ NATAL!
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