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Para inglês ver...

O dia-a-dia das organizações está tomado por palavras e expressões em inglês. Às vezes, numa reunião entre executivos, tem-se a nítida sensação de que se está negociando fora do Brasil, tamanha é a fluência das expressões americanas dominantes no mundo coorporativo. A todo instante surge uma novidade. Para os mais desavisados, o susto é grande quando o big head - Ops sorry, o poderoso chefão - diz: "Raimundo, o board quer ver o budget. Providencie urgente!". Raimundo, assustado, arregala os olhos, corre para o dicionário na esperança de entender o que o "chefe" pede. Ao descobrir que board é o velho e conhecido "conselho administrativo" e que budget não passa de "orçamento", senta-se, respira aliviado e parte para a segunda etapa do trabalho: atender a solicitação do chairman, quer dizer, do presidente.

Ufa! É por essas e outras que a coluna de hoje trás o significado de alguns desses jargões, a começar pelo seu título. De onde vem a expressão "para inglês ver"? No início do século IXX, os ingleses deram ao Brasil um prazo de sete anos para abolir o tráfico de escravos. Próximo de expirar, Padre Feijó, então Ministro da Justiça, elaborou uma lei aos traficantes de escravos. Nela, as penalidades eram tão confusas, que sua aplicação tornou-se inviável. Todos sabiam que não seriam cumpridas. Falava-se, então, que as leis eram para inglês ver, ou seja, visavam apenas às aparências.

Sem discutir o mérito, se é para inglês ver, ou não, ai vão outros significados trazidos da lingua inglesa diretamente para mesas de negociação brasileiras e internacionais:

Chief Executive Officer...

Tradução: Chefe do setor executivo, mais conhecido como CEO. Termo anglo-saxão para designar a pessoa com a mais alta responsabilidade ou autoridade em uma organização. Todos os outros executivos prestam contas ao CEO.

Chairman...

Significa presidente de uma assembléia, reunião ou organização. "Chairman of the board" presidente do conselho de administração.

Stakeholders....

Em Português significa: parte interessada ou interveniente. São todos os envolvidos em um processo: clientes, colaboradores, investidores, fornecedores, comunidade. O sucesso de qualquer negócio depende do envolvimento de suas partes interessadas. Para que uma empresa seja estável e duradoura, é necessário manter uma relação próxima e saudável com seus stakeholderes. Por isso é importante assegurar que suas expectativas e necessidades, sejam conhecidas e atendidas pela companhia.

O termo "stakeholders" foi criado para designar todas as pessoas, instituições ou empresas que, de alguma maneira, são influenciadas pelas ações de uma organização.

Walk the talk...

"Pedro, você precisa praticar o walk the talk!", diz o diretor aborrecido. Na verdade o que ele quer dizer é: cumpra o prometido!
Essa é uma das expressões mais novas do ambiente corporativo. Hoje, com as questões éticas em pauta, tem-se falado muito nisso. Passou a ser uma exigência dos stakeholders às organizações. Todos querem receber o que lhes foi prometido.

Compromissos cumpridos constroem relações de confiança e credibilidade. Portanto, atenção ao "walk the talk", ou seja, faça o que diz!.

Coaching...

Refere-se ao ato de treinar alguém. Coach, na tradução ao pé da letra, significa treinador. Sua origem vem de uma pequena cidade na Hungria - Kocs. Lá se desenvolveu uma carruagem maior que as outras, com oito lugares. A novidade recebeu o nome de Koczi - vagão de Kocs. Logo os franceses e espanhóis adaptaram a pronúncia para coche. Não demorou para os nobres alunos ingleses, do século XV, irem para as universidades de coach, conduzidos por um cocheiro - coacher. Tempos depois, o nome vira gíria estudantil para gozar os professores. Mais tarde, esse nome é usado para batizar os técnicos esportivos. Tudo a ver com o sentido dado ao líder, ou seja, aquele que conduz, educa, influencia, treina.

No jargão empresarial coaching é o processo de desenvolvimento das habilidades e competências do líder, com foco nos resultados. São trabalhados aspectos comportamentais e técnicos para auxiliar o executivo a desenvolver potenciais relacionados à tomada de decisão, à diversidade, conflitos, comunicação, autoconfiança e tantos outros relacionados as suas necessidades. Em geral esse processo é conduzido por um consultor externo à organização, chamado coach que apoiará e orientará o executivo. Ele assessora o líder na busca das metas de curto, médio e longo prazo. Ajuda-o a identificar e explorar suas competências, além de superar suas dificuldades.

O coaching, quando bem feito, transforma-se numa das ferramentas mais eficazes de gestão. Seria bom se todos fizessem, assim quem sabe muitos executivos deixassem de fazer gestão "para inglês ver" e praticassem de fato a liderança.

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