Dinheiro e Felicidade: amigos ou inimigos?
Angústias, temores, depressões, são reflexos cada vez mais comuns na carreira de executivos que respiram, inspiram e transpiram trabalho.
A competição acirrada faz com que as empresas exijam de seus profissionais uma sobrecarga de trabalho insustentável ao longo do tempo. Por outro lado, esse mesmo profissional, que reclama do estresse, embarca numa batalha infinda à procura do sucesso. Por conta disso, faz com que sua carga de trabalho chegue a ultrapassar 14 horas diárias, deixando de lado aspectos de sua vida, igualmente importantes. Não é à toa que, nesta situação, suas prioridades se invertem e sua vida vira de cabeça pra baixo. As conseqüências disso costumam ser desastrosas: lares desfeitos, descontrole emocional potencializado, doenças psicossomáticas, em fim, seqüelas irreparáveis.
Que sucesso será esse que tanto as pessoas perseguem? O dicionário Aurélio traduz "sucesso" como: "Resultado feliz". O fato é que, especialmente na carreira executiva, a busca incessante pela felicidade, parece estar intimamente ligada ao dinheiro e poder. Dai começa uma luta obsessiva para provar competência e conquistar espaço no mercado de trabalho. Pura ilusão! Na verdade, pesquisas apontam que as pessoas mais felizes são aquelas que amam o que fazem, seja no trabalho, na família ou com os amigos. A recompensa financeira é um elemento que ajuda no bem estar, mas está longe de ser determinante.
Para a psicóloga e pesquisadora Betania Tanure, há uma diferença sutil entre felicidade e prazer no trabalho. Ela afirma que os executivos são apaixonados pelo que fazem, mas o ambiente intoxicado os impede de serem felizes. Mesmo tendo prazer em construir, superar desafios entedia-se com reuniões intermináveis e carga horárias excessivas, impedindo-os de usufruir de outros prazeres da vida.
Betania afirma ainda que: "O trabalho é hoje o lugar da admiração, enquanto a casa está se transformando no espaço da culpa e da dívida". Vicky Block, conselheira executiva, reforça: "Enquanto no escritório a persona profissional brilha e é invejada por seus pares, no lar, a situação revela-se diametralmente oposta".
Não resta dúvida que os executivos têm muito prazer no mundo corporativo. O próprio glamour do cargo contribui para isso. Mas, será que vale a pena tanto sacrifício? Muitos acreditam ser essa é a única maneira de chegar ao topo. Pode até ser, mas a que preço? Será que não existe uma forma intermediária? Acredito que sim. Até porque, os melhores momentos da vida de uma pessoa, é o tempo que ela passa trabalhando, ou seja, está vivendo para ganhar dinheiro. Daí comete exageros e com o passar dos anos, precisará gastar todo o dinheiro para poder viver, cuidando da saúde perdida. Portanto, use o dinheiro a seu favor, não contra você. Dependo da maneira que escolheu viver, é possível que tenha construído um império e destruído outro. Talvez esteja na hora de se perguntar: Valeu à pena? Espero que sim, mas se não, ainda há tempo de ser feliz. Boa sorte!
84% dos executivos brasileiros são infelizes no trabalho.
54% estão insatisfeitos com o tempo dedicado à vida pessoal.
Pesquisa feita pela psicóloga Betania Tanure e pelos pesquisadores Antônio Carvalho Neto e Juliana Oliveira Braga, com mais de mil executivos brasileiros.
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