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"Diga ´não´ aos funcionários criativos"

Loucura? Nem tanto. Esse foi o título de um artigo publicado pela revista Exame em 10 de outubro de 2007, baseado no pensamento de Jack Welch, um ícone da liderança, que esteve à frente da General Eletric por mais de duas décadas.

Welch não descarta o valor, nem a importância dos homens (e mulheres) criativos. Pelo contrário, reforça a necessidade de suas idéias arejadas para a oxigenação da empresa. Reconhece que eles costumam ser responsáveis pelos produtos revolucionários, por novas formas de execução de trabalho e até mesmo pelo impulso necessário à criação de negócios totalmente inovadores. Dessa forma como e por que dizer "não" a eles? Dizem as más línguas que pessoas criativas costumam ser diferentes, profundas, misteriosas, mais sensíveis e indisciplinadas. Rejeitam qualquer tipo de regra. Consideram-se tolhidos e amarrados a qualquer uma delas. Às vezes, chegam a ser excêntricos e arrogantes. Alguns deles até anti-sociais. Pode ser que nessa forma de atuar haja um pouco de exagero, tanto da parte deles quanto dos seres "normais" que se incomodam com o jeito diferente de cada um. O fato é que as empresas precisam dos "normais" e "anormais" - e eles delas. Liderar pessoas criativas apenas com o coração, é um erro grave. É preciso colocar limites, mas sem exageros. O exercício da liderança com esse tipo de profissional requer muita habilidade, uma dose (bem dosada) de paciência e autoridade. Onde a liberdade total pode significar perda de foco; o controle exagerado, bloqueio à criatividade. Portanto, o "remédio" está na dose certa, até para que eles não procurem a porta da rua, ao menor sinal de disciplina.

Artistas, escritores, editores, pesquisadores científicos e tantos outros, costumam preferir ficar a sós para criar livremente. Até ai nenhum problema, a questão é quando julgam que não trabalham para ninguém e a ninguém devem satisfação. Atitude abusiva que exige do líder uma atuação mais firme. Hora de dizer "não", para que eles compreendam a importância de seu trabalho no todo.

É verdade que nem todos agem assim. Muitos indivíduos criativos acatam princípios e regras básicas. Forçam os limites, mas não os ultrapassam. Como conseqüência, todos crescem. Há, porém, os mais rebeldes que ignoram qualquer solicitação de outras áreas tidas como mais tradicionais. Trabalham como se estivessem sós. Nessa situação alguns executivos optam por fingir que não estão vendo, até para não perder a "galinha dos ovos de ouro". O que eles não percebem é que esse comportamento se reproduz nas demais áreas da empresa. Os menos privilegiados começam a agir do jeito que querem também. As conseqüências, nesse caso, podem ser desastrosas: a liberdade para os "criativos" passa a ser um alívio; para os "comuns", uma tormenta. Sentem-se desprestigiados em seu processo não menos importante. Esse tipo de tratamento é sectário. Desagregador.

Para o bem de todos, é imprescindível a compreensão e o respeito às diferenças. Contudo, é necessário manter as particularidades dentro dos limites. O equilíbrio dita as regras. Não há como dividir a empresa em "criativos" e "normais". Há como respeitar as diferenças, integrá-las e somá-las. Entre "sins" e "nãos" todos crescem e constroem juntos, um resultado melhor e mais criativo.

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