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Tropa de elite

"O Rio de Janeiro tem mais de 700 favelas. Quase todas dominadas por traficantes armados até os dentes. É só nego com TR15, HK, Pistouse e por ai vai. No resto do mundo essas armas são usadas para fazer guerra; no Rio, são armas do crime. Um tiro de 762 atravessa um carro como se fosse papel. É burrice pensar que numa cidade assim, os policiais vão subir favelas só pra fazer valer a lei. Policial tem família, meu. Policial também tem medo de morrer. É por isso que nessa cidade todo policial tem que escolher: ou se corrompe ou se omite ou vai para a guerra". Assim começa um dos filmes brasileiros mais comentados e polêmicos dos últimos tempos: "Tropa de Elite".

A narrativa gira em torno do combate ao tráfico de armas e drogas, nas favelas do Rio de Janeiro. Tudo começa quando o BOPE, Batalhão de Operações Policiais Especiais, é acionado para fazer a segurança do Papa, que chegaria ao Brasil e se hospedaria na casa do arcebispo, em cima de uma das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro. A trama se desenrola pela violência, corrupção, uso abusivo da força e poder entre policiais e traficantes. Nela, mocinho e bandido se confundem por diversas vezes. Em meio a tanta violência, a retidão, amizade, lealdade, sentimentos de culpa e medo, também registram sua marca no filme. Em paralelo o longa também mostra a ansiedade do Capitão Nascimento, chefe da equipe alfa do BOPE, em deixar o comando da polícia para se de dedicar à família. Para isso, terá que escolher e preparar um substituto a sua altura. A escolha se dará entre dois amigos de infância (Matias e Neto), com perfis completamente diferentes e complementares.

Talvez você esteja se perguntando: o que isso tem a ver com o mundo dos negócios ou o dia-a-dia das empresas? Guardada as devidas proporções, acompanhe algumas das principais falas do "Tropa de Elite" e tire suas próprias conclusões:

MISSÃO
"Missão dada é missão cumprida". "Não pergunte se somos capazes, dê-nos a missão". No "Tropa de Elite" a missão era garantir o sono do papa. Os soldados do BOPE guiaram-se obcecadamente - até demais - por ela. Muitas empresas, quando escrevem sua missão, costumam emoldurá-la e deixar empoeirar na sala da presidência. Definir a razão de ser da companhia é o mesmo que definir um norte a ser seguido. Sem ele, a tropa se perde. Para isso não basta criar uma missão, é preciso introduzir na cultura da empresa, de forma que todos possam segui-la.

ESTRATÉGIA
"Estratégia só tem lógica quando a operação tem sentido. Policial do BOPE não entra em favela atirando. Ele progride de beco em beco. O foco é na frente. Chegou cobertura, faz cara de mau e olha para frente. Dá para sair? Então vai embora de vagar e com calma, mesmo que a coisa esteja pegando fogo". Nem sempre é o maior que vence a concorrência e sim o que tem a melhor estratégia. Para avançar é preciso coragem e autoconfiança.

LIDERANÇA
"O policial só pode se envolver até certo ponto. Tem que saber impor limites". No combate ao crime, Capitão Nascimento, é um homem íntegro mas extremamente frio e violento diante do inimigo. Repreende duramente o erro de sua equipe, porém não perde a chance de ser justo e reforçar o bom desempenho deles, na hora certa. Na gestão moderna, não existe o melhor estilo de liderança. Do autocrático ao liberal, todos são úteis, desde que usados na situação adequada. Outra faceta de Nascimento é que mesmo sendo muito competente e seguro, sente medo e insegurança em algumas situações, mas em hipótese alguma, deixa que sua tropa perceba. Seja no filme ou na vida real, como seguir o líder se não confiar nele? "Se a trombeta emitir um som incerto, quem se preparará para a batalha?". Fica difícil.

SUCESSÃO
"A guerra sempre cobra seu preço e quando começa a ficar alto demais, é hora de parar. Se você deixa a hora passar pode perder a chance de sair inteiro". Nenhum líder é insubstituível, por melhor que seja. Portanto, é importante fazer um plano sucessório. Desde cedo escolha seu sucessor e prepare-o. A hora certa de sair também faz parte de uma decisão sábia. Qualquer decisão, por melhor que seja, se tomada tardiamente ou cedo demais, perde toda sua eficácia.

SELEÇÃO
"Neto era impulsivo. Agia antes de pensar. Matias pensava demais antes de agir. Para mim seria mais fácil se meu sucessor tivesse a inteligência de um e o coração do outro. Mas quem disse que a vida é fácil?" Seja para a sucessão ou para a composição da equipe, é preciso saber identificar e buscar os melhores talentos para sua empresa. Mesmo que não encontre o profissional dos seus sonhos, se ele tiver as habilidades e competências básicas necessárias à instituição, contrate-o e invista no desenvolvimento de sua tropa de elite.

TREINAMENTO
"Na 1ª etapa do nosso treinamento, os aspirantes têm que provar que sabem lidar com pressão. O objetivo é eliminar os fracos e corruptos. Na 2ª etapa, ensinamos a matar com eficiência e dignidade, acredite, é preciso". No banco da escola não se aprende a lidar com pressão. É na vida, no dia-a-dia das empresas que a realidade nua e crua ensina. Nos treinamentos dos vendedores eles aprendem, desde cedo, que num mercado competitivo, prevalece à lei da selva: matar ou morrer.

NEGOCIAÇÃO
"Os bandidos também têm medo de morrer, para que trocar tiro se dá pra negociar". Numa mesa de negociação onde as partes não se conhecem, apenas trocam farpas e ironias, a ruptura é inevitável. Estude bem o "adversário". Se o que ele quer da laranja é usar a casca para fazer remédio e você, saborear o suco, para que dividi-la ao meio? Nem sempre o ganha-ganha, significa 50% para cada.

LOGOMARCA

"O símbolo do BOPE deixa claro o que a gente faz quando entra na favela. Faca na Caveira! E a nossa farda não é azul, é preta".

Se todos os profissionais vestissem a camisa da empresa com o mesmo orgulho que o BOPE usa sua farda ou expõe sua marca, o compromisso seria outro e o resultado bem diferente.

Qualquer semelhança do "Tropa de Elite" com as empresas, pode ser mera coincidência (ou não). O certo é que a guerra de poder e o jogo de mentiras, também fazem parte do mundo empresarial. Na guerra dos negócios, vence quem tiver melhor munição e estratégia. Se para vencer tiver que prevalecer o "vale tudo", o filme da vida real, como no "Tropa de Elite", pode terminar assim: "... na brincadeira sinistra de polícia e ladrão, não se sabe ao certo quem é herói ou vilão. Não se sabe ao certo quem vai, quem vem, na contra mão".

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