Agora me deu medo!!!
Essa é uma das expressões mais comuns quando algo, que sai da rotina, está para acontecer. Embora todos sintam, poucos reconhecem quando estão com medo. Palavra pequena que pode tomar uma dimensão enorme e fazer um estrago na vida de uma pessoa. O medo, mal trabalhado, costuma ter conseqüências desastrosas. Porém, a boa notícia é que ele é perfeitamente controlável. Mas, para enfrentar o inimigo, é preciso conhecê-lo primeiro.
Por ocasião da guerra, os gregos antigos faziam de tudo para agradar a Deimos, o Deus do temor e a Fobos, o do medo - ambos com o poder de instaurar o pânico nas pessoas como forma de punição. Os guerreiros enfraquecidos pelo medo, viravam presa fácil para os inimigos. Hoje, alguns séculos depois, sabe-se que o medo não é produto da ira divina, mas fruto da mente humana. O que não o impede de continuar enfraquecendo e causando estragos na vida e carreira profissional das pessoas.
Ficou com medo agora? Calma! Você entrou para o clube das pessoas normais. Quem nunca teve medo das incertezas do mercado? De dizer não ao chefe ou a um cliente importantíssimo? Quem jamais enfraqueceu diante da eminente perda de um grande amor? A lista é interminável. Tem o medo de errar, de ficar pra trás, de não encontrar o rumo certo. Tem até medo do sucesso. Todos perfeitamente comuns e normais. Portanto, nada de temer o medo. Precisa compreendê-lo. Há situações que ele é necessário.
Funciona como um instinto de defesa. Já pensou como seria caminhar por uma rua escura e deserta, sem nenhum tipo de receio? No mínimo estaria desprovido de qualquer defesa. Seja para combater o inimigo ou para correr dele, toda espécie animal precisa do medo para sobreviver. A questão é quando ele é excessivo. Daí perde-se o controle. O "fóbico" não arrisca, nem mesmo quando o risco é calculado. Consequentemente não cria. Torna-se resistente a qualquer tipo de mudança. Nesta situação ele é altamente prejudicial à saúde da pessoa, do profissional, da família e da empresa.
Quando manifestado, os sintomas são facilmente identificáveis: taquicardia, tremor, suor frio, hesitação. Há situações de pânico que a pessoa chega a paralisar. Quem não lembra da entrevistada, que diante das câmeras, engatou e não conseguia falar mais nada, além de "sanduiche-iche-iche" repetidas vezes? Existem inúmeros casos, como esse, para contar. Mas o temor não precisa se manifestar de forma intensa para interferir no comportamento. A questão, que pode agravar a situação, é que culturalmente o medo está associado à fraqueza. Isso faz com que as pessoas sintam dificuldade em reconhecer o que estão sentindo. Daí fica difícil superá-lo.
Pesquisas apontam a relação entre omissão, mentira e medo. Pessoas costumam mentir ou evitam dar sua opinião por medo de se expor, de receber represália por algo que fizeram de errado. Temem mostrar sua momentânea incompetência para determinada tarefa ou ação.
A verdade é que o medo instalado na mente das pessoas costuma ser mais aterrorizador que a própria realidade. Tanto que quando enfrentado é comum se pensar: "Se soubesse que era assim, já teria encarado antes. Nem era um bicho de sete cabeças".
Se parar para pensar, o medo só aparece quando a mente está projetando o futuro. Se viver o momento presente, com sua mente no "aqui e agora", suas ações estarão mais próximas da realidade, sem tantos fantasmas. No momento presente você pode agir, no futuro não. Nesse caso cabe o pensamento: "O que posso fazer hoje, para ter um dia melhor amanhã? Daí você age, não teme".
Na verdade, seja um medo real ou imaginário, medo é medo e pode deixar seqüelas. Portanto cabem algumas precauções: primeiro, reconheça quando ele estiver presente. Nada de fingir que não está sentindo medo. Quanto mais rápido aceitar, mais simples de solucionar e mais seguro se sentirá diante dele. Segundo, descubra de onde vem. Qual a causa. Terceiro, encare-o, com tudo que tem de bom e ruim. A melhor forma de superar o medo é enfrentá-lo - e quanto mais cedo, melhor, menos angústia e ansiedade. Para completar, tenha fé. Acredite que vai dar certo. Se der errado, sempre há um jeito de corrigir. No mínimo vai tirar uma lição que lhe valerá para o amanhã. Portanto, nada de se sentir culpado. Aprenda com seus erros, siga em frente e trabalhe sua autoconfiança. Relaxar também costuma ajudar muito. Bem, se já tentou de tudo e nada deu certo, faça suas orações e entregue à Deus. Com a mente positiva, os caminhos costumam se abrir. Mas atenção, se a situação fugir ao controle, nos primeiros sinais de pânico, não hesite em procurar ajuda de profissionais especializados na área de psicologia ou psiquiatria. Eles saberão como lhe ajudar.
Sem dúvida, lidar com o medo não é tão simples assim, mas é plenamente possível. Portanto nada de pânico. Nada de se assombrar com seus próprios fantasmas. Enfrente-os. Respire fundo, prepare-se e encare a situação agora! Já! Depois relaxe, olhe pra trás e sorria! Boa sorte!
"O medo é a fé no negativo".
Oscar Motomura
Nas livrarias:
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ELIMINANDO O MEDO NO AMBIENTE DE TRABALHO, por Kathleen Ryan e Daniel Oestreich. Editora Makron. Um livro antigo, lançado em 1997, mas, com certeza, atual. Vale à pena conferir. |
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