Bate papo - Dúvidas dos leitores...
CASO 1
JEITO DOCE QUE INCOMODA
Sou supervisora de uma empresa do ramo de alimentos e bebidas. Quando aceitei o desafio, encontrei uma equipe altamente desmotivada, com muitos problemas de relacionamentos. Ao perceber a situação, minha primeira meta foi tornar a relação, entre eles, mais amigável. Consegui bons resultados. Percebi que o clima melhorou bastante. Apesar disso, sinto que meu estilo de liderança - com voz mansa - incomoda muita gente, principalmente os gerentes e demais supervisores. Devo mudar e assumir o jeito autoritário deles? Estou me sentindo um peixe fora d'água.
• Quem disse que é preciso voz grossa ou jeito autoritário para ser um bom líder? Na realidade não existe um estilo único e correto. Depende da situação. Há momentos que o rigor e controle são necessários e fundamentais; em outros, flexibilizar, lançar mão do seu "jeito doce" pode ser a grande saída. Antes de pensar em mudar, invista no autoconhecimento. Perceba onde estão seus talentos e os pontos que precisa melhorar. Conhecer sua equipe, seus colegas, o cenário atual, ajudam muito também. A partir daí, defina claramente os objetivos e metas que quer atingir. Planeje como chegar lá. Daí fica mais fácil identificar os pontos que precisarão ser aprimorados na sua gestão e a maneira mais adequada de liderar.
O importante não é deixar de ser quem você é, mas acrescentar ao seu jeito, novos comportamentos que lhe ajude a alcançar os resultados esperados. No mais, equilíbrio é fundamental. Tenha a tranqüilidade de perceber a situação e a sabedoria para escolher o estilo de gestão mais adequado a cada uma delas.
CASO 2
MEU GERENTE NÃO SABE OUVIR
Tenho um gerente extremamente autoritário, que se julga o dono da verdade. Diz o que pensa, mas não sabe ouvir. Recentemente houve um processo de avaliação de desempenho na empresa. Nele, fomos convidados a receber e dar feedback uns aos outros, incluindo o gerente. O resultado já era esperado. Nosso chefe disse tudo o que pensava da gente, mas na hora de escutar, se mostrou impaciente, sem nenhuma disposição. Ao final, ficou a sensação de que nosso esforço foi em vão. Ou seja, de nada adiantou dizermos o que pensávamos, se ele não fez nenhum esforço para melhorar. Como devemos proceder com uma pessoa, como ele, que não quer ouvir sua opinião?
• Dar e receber feedback não é uma coisa tão simples quanto parece. Exige conhecimento e vontade de ambas as partes. Não há como obrigar as pessoas a ouvir, nem muito menos a aceitar como verdade o que está sendo dito a elas. Até porque, num feedback não existe a verdade absoluta. É apenas a sua percepção, ou seja, a maneira que você enxerga as coisas, não necessariamente a verdade. Existem pessoas que são mais abertas ou encontram-se mais preparadas para ouvir e falar; outras exercitam mais a escuta; outras ainda - como é o caso do seu gerente - têm pouca ou nenhuma tolerância para receber feedbacks.
Alguns cuidados são importantes na hora de dar sua opinião, até para que facilite a escuta e entendimento da outra parte: 1) Um feedback útil deve ser bom para ambos os lados. 2) É preciso que seja oportuno. Então, espere pelo momento certo ou crie uma oportunidade para falar. Às vezes é preciso exercitar a paciência e contar até 10 antes de se expor, mas cuidado para não deixar passar muito tempo. Já imaginou alguém chegar para você e dizer: "Lembra do que você me fez, há um ano atrás?" Provavelmente não lembrará de mais nada. 3) Expresse sua percepção de forma clara e específica. De nada vale dizer: "Todo mundo pensa isso sobre aquela sua atitude...". Todo mundo quem? Que atitude? Especifique. 4) Seja descritivo ao invés de avaliativo. É válido dizer: "Você foi muito duro com o Ricardo ontem, quando falou..." Descreva a situação ocorrida. 5) Um feedback deve ser dirigido ao comportamento, jamais à pessoa. Dizer: "Estou chateada por você ter esquecido nosso compromisso...." funciona melhor do que: "Você é um irresponsável". Sendo assim, não basta querer expressar o que pensa, é preciso saber "como", além de respeitar o momento oportuno. Até por que: quem diz o que quer, - sem nenhum critério - acaba ouvindo o que não quer.
CASO 3
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EMPRESA FAMILIAR
Minha empresa tem 10 anos. Meu marido é sócio majoritário. Nesses anos todos, enfrentamos várias crises, tanto financeira, profissional, quanto no casamento. Mas de alguma forma sempre conseguimos superá-las e fazer a empresa crescer.
É inegável que aprendemos muito com tudo isso, mas muitas seqüelas ficaram. Estamos cansados e desmotivados. As decisões se tornaram mais lentas e a empresa tem crescido menos a cada ano. Isso tem se refletido nos funcionários. Temo que isso traga conseqüências mais sérias para empresa. Sei que é mais uma crise, mas não estou sabendo como enfrenta-la.
• Você faz parte da grande maioria das empresas que compõem esse país - no Pará não é diferente. Cerca de 80% delas, são familiares. Portanto, esse tipo de problema é mais comum, que se imagina. Se isso não lhe serve de consolo, pelo menos saiba que não está sozinha. Que muitas dessas empresas encontraram seu caminho e são hoje mais profissionais.
Em contrapartida, existem aquelas que fecharam suas portas, exatamente, por não conseguirem separar conflitos pessoais, dos profissionais. Ou seja, fazem de suas empresas, uma extensão de suas casas. Isso quer dizer que quando o casamento vai mal, a empresa para.
Não tenham dúvida que os funcionários percebem a situação e tendem a reproduzir o comportamento dos "pais", no caso representado por vocês, donos da empresa. Se estiverem desanimados, eles desanimam; se divergem entre si, tiram proveito da situação, jogando um contra o outro. E por ai vai...
Muito cuidado para não deixar que as coisas tomem uma proporção irreversível. O diálogo aberto e franco, entre o casal, é o primeiro passo. Um bom planejamento com divisão de tarefas e prazos, vai ajudar muito. Experimente ouvir os empregados, estimulando-os a contribuir. Isso favorece o comprometimento. Trazer um bom profissional, com experiência, liderança forte, dinâmico, idéias criativas, pode oxigenar a situação e dar um novo gás a empresa. A idéia é profissionalizar e evitar que a vida pessoal se "embole" com a profissional. Faça isso o quanto antes. Quanto mais tempo demorar para reagir, mais crítica a situação. Se vocês venceram crises anteriores e estão ai há 10 anos, é porque tem toda a competência de superar mais essa. Acredite! E mãos a obra!
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