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Contrate preguiçosos

Atenção! Preguiçosos de carteirinha, talvez esse seja o incentivo que esperavam pela vida inteira, mas nada de se animar muito com o título. Pode não ser exatamente o que estão pensando. O preguiçoso da vez é alguém muito especial, aquele que quebra regras, facilita as coisas e encurta caminho. É esse o seu caso? Se não for, ai está uma ótima oportunidade para aprimorar suas virtudes e encontrar um jeito novo de ser preguiçoso.

"Contrate Preguiçosos" é o título do livro, lançado nesse mês, pelo consultor Eduardo Cupaiolo, sócio-diretor da PeopleSide, empresa especializada em desenvolver o lado "humano" das organizações. Nele Cupaiolo propõe que as empresas precisam de preguiçosos. Defende o tipo de preguiça que estimula as pessoas a tentar fazer algo com menos esforço, de uma maneira melhor e com mais excelência. "As grandes soluções tanto no campo das invenções mecânicas quanto nos modelos de gestão e nas questões relacionais vieram de pessoas que se incomodavam em fazer tudo sempre da mesma forma e do jeito mais difícil, às vezes mais cansativo", afirma o autor. Para Cupaiolo, o inventor da escada rolante é um bom exemplo de preguiçoso com o qual as empresas deveriam sonhar.

Num pensar diferente sobre o tema, ele defende profissionais que não aceitam fazer as coisas de forma mecânica e burocrática. Essa não é exatamente uma novidade no universo corporativo, basta ver a enxurrada de livros que abordam o tema: "A Pedagogia do Ócio", "A economia do Ócio", "O Elogio ao Ócio" e o mais conhecido deles: "Ócio Criativo", do consultor italiano Domênico de Masi, que recentemente esteve em Belém. Em seu livro, De Masi propõe um modelo baseado no equilíbrio entre trabalho, estudo e lazer. Numa sociedade em que a tecnologia evolui na velocidade da luz, a tendência é que as pessoas trabalhem menos, otimizem mais seu tempo e construa uma qualidade de vida melhor. Dessa forma terão melhores condições de se preparar, criar e produzir de forma mais objetiva.

Pensando bem, quem disse que a quantidade de horas trabalhadas está relacionada à maior produtividade ou ao melhor resultado? Foi-se o tempo em que o empregado que "virava à noite" trabalhando, era o mais exemplar deles. Hoje as empresas buscam profissionais eficazes, aqueles que procuram - e encontram - uma forma simples e rápida de acertar no alvo. Daí porque a lei do menor esforço está fazendo a diferença. Trabalhar muito não é necessariamente a melhor maneira de chegar lá. É preciso saber trabalhar. Inteligência, conhecimento, visão ampliada, pensamento rápido e sistêmico são aliados da organização e gestão do tempo. Maior tempo; mente mais livre para criar. Mente mais livre, maior visão. Maior visão, melhor ação. Portanto, nada de muito trabalho. Procure um jeito simples, criativo e menos cansativo para chegar lá.

Sendo assim, que viva o ócio! Bem vinda a preguiça!

Um jeito novo de ser preguiçoso

1. Saiba exatamente o que quer

Defina de forma simples e clara o que quer para os próximos dias, semanas, meses e anos. Anote suas metas e deixe bem à vista. Se você não sabe para onde remar, a correnteza lhe leva a qualquer lugar.

2. Faça uma lista diária e priorize as atividades

Relacione diariamente, numa folha de papel ou em sua agenda (pode ser num notebook, também), todas as atividades a serem cumpridas nesse dia. Estabeleça prioridades começando sempre pelas tarefas mais importantes. Parece óbvio, mas é ai que muitos profissionais se perdem.

3. Encontre sua melhor forma de produzir

Respeite seu "relógio biológico". Há pessoas que produzem melhor nas primeiras horas da manhã, outras no final. Há aquelas que à tarde rendem mais, outras que são notívagas. Explore isso. Em seus melhores horários, execute atividades nobres, que exijam clareza de raciocínio. Dedique-se a um projeto importante, faça reuniões produtivas (e rápidas). Deixe para os outros horários as atividades mais rotineiras, que exijam menos de você.

4. Organize-se.

Observe se você padece desse mal:

* Sintomas: deixar tarefas inacabadas, fazer várias coisas ao mesmo tempo, incapacidade de concentração, adiamentos constantes, não programar suas atividades.

* Diagnóstico: desorganização.
Esse é o seu caso? Calma, para tudo há um jeito. Primeiro, administre sua ansiedade. Se a tarefa é complexa, exigem dias, semanas ou meses para ser concluída, não queira fazer tudo de uma só vez. Divida-a em etapas e cumpra uma a uma. Se necessário, negocie prazo.

5. Pratique a relação 80/20.


A teoria do economista italiano Vilfredo Pareto afirma: 80% das riquezas do mundo são produzidas por 20% das nações; 20% das riquezas restantes são produzidas por 80% das nações. Essa relação vale também para a administração, então descubra quais os 20% do seu trabalho diário (essencial) lhe dão 80% de produtividade. Essa deve ser sua prioridade. Descubra também quais as picuinhas ou atividades que tomam 80% do seu tempo e que lhe trazem apenas 20% de produtividade. Descarte-as o quanto antes. Elas o estão fazendo cair na armadilha da improdutividade, camuflada sob a forma de muito trabalho.

CONTRATE PREGUIÇOSOS, de Eduardo Cupaiolo. Editora Mundo Cristão. Preços pelos sites: www.submarino.com.br e www.livrariacultura.com.br, R$ 19,90, mais taxa de entrega.

O livro reúne 34 artigos descontraídos e bem-humorados. Em um deles, com o mesmo nome do livro, o autor apresenta uma outra faceta dos "preguiçosos". Ou seja, aqueles que fazem da forma simples, a mais eficaz de trabalhar. Aborda também a humanização das organizações, como forma de alcançar melhores resultados. Vale à pena dar uma olhada.

 


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