A era do conceito
A Era da Informação tem seus dias contados. A onda agora está no conceito, na geração de idéias. Isso só é possível através de pessoas. Ai está uma das principais mensagens deixadas por Waldez Ludwig - psicólogo e consultor empresarial - em sua palestra: "Estratégia, inovação e talento para atender um novo consumidor", realizada em Belém, no último dia 10, na Super Norte 2006.
Ludwig falou sobre o caminho percorrido desde a produção agrícola, passando pela revolução industrial, pela era da informação e tecnologia até chegar à era atual, a do Conceito. Não se pode negar que a informação continua com seu espaço garantido. A prova disso está na transação de bilhões de dólares, realizada na semana passada, quando a Google, maior empresa de busca na Internet, comprou o site de vídeos YouTube. Segundo Dick Parsons, presidente-executivo da Time Warner - controladora da AOL, a YouTube foi comprada por um preço "chocante" - US$ 1,65 bilhão. Ainda assim, com o advento da internet, a informação banalizou. Virou trivial. Está disponível em qualquer lugar. Não faz mais a diferença. O mais importante não é a tecnologia, nem mesmo a informação ou o poder financeiro das empresas, mas sim os funcionários. Nessa teoria, Waldez afirma: "só as pessoas conseguem gerar inovação e conhecimento. Isso será o diferencial das empresas atuais, pois todas têm computadores, tecnologia, mas para sobreviver terão que inovar."
Na Era do Conceito, os clientes não comprarão mais pelo atendimento e sim pelo modelo de gestão. A empresa tem que ser "bacana", afirma Ludwig. Tem que ter idéia. Uma filosofia que vá além dos resultados. "Os comerciais da Nike já não anunciam mais produtos, eles agora querem vender uma idéia", diz o consultor. O símbolo da Unilever é uma mandala*. Seu slogan: "sentir-se bem, ficar bonito e aproveitar mais a vida". O Boticário diz: "Você pode ser o que quiser". O mais importante para a nova geração de empresas é passar uma idéia que transmita confiança, credibilidade. Que faça sentir orgulho e paixão por sua marca. Dizem que para os amantes da Harley-Davidson, a moto está em primeiro lugar, em segundo vem Deus, em terceiro a mãe e depois o resto... Para a empresa: "O que vendemos é a capacidade de um contador na meia idade, vestido com roupas de couro preto, entrar com sua moto numa pequena cidade e aterrorizar a todos".
A filosofia da "empresa bacana" passa por uma gestão colaborativa, pela liderança compartilhada, valorização ética e responsabilidade social. Nesse novo modelo, a forma de gerir pessoas muda. Os líderes passam a ter um papel muito mais importante do que apenas orientar, motivar e influenciar pessoas. "O futuro pertence a quem tem outro modelo mental. O modelo mental do artista", diz Ludwig. Um pintor, quando está criando, não está interessado em saber, de antemão, como será o resultado. Isso o liberta para ser mais criativo e aprender com o processo de criação.
Para Waldez, quem está fazendo essa nova era é o jovem. Ele compra da empresa que tem o melhor conceito; que é politicamente correta. A geração dos pais ou avós, segundo o consultor, não dá a mesma importância para isso. Os jovens valorizam empresas que investem na área social, esportiva, cultural, porque, para eles, elas têm atitude. É esse jovem que está à frente da transformação. "Se fosse falar de política, ouviria meu pai, mas se fosse lançar um aparelho celular seria meu filho, o primeiro a ser ouvido. O aparelho de hoje, com poucos centímetros, tem três letras numa só tecla. Se para criá-lo, ouvisse meu pai, ele pediria um que fosse do ouvido até a boca, com teclas grandes e letras visíveis", afirma Ludwig. Não precisa ir longe, já viu a geração dos 40 mandando torpedo? Hilário. Quem pensava em carregar uma discoteca inteira num simples pen drive pendurado no pescoço? Essa inovação, transformou, rapidamente, o compact disk em peça de museu. Isso para não falar da "Hawaiana" que reformulou totalmente seu conceito a ponto de levar Rodrigo Santoro à estréia de LOST, com suas sandálias hawaianas branca. Não é à toa que a principal característica do sucesso é a originalidade.
Ludwig pergunta em sua palestra: "Daslu ou Daspu?", fazendo menção as duas grifes mais badaladas do momento. A primeira, maior centro de luxo do país, mas envolvida recentemente em escândalo fiscal. A segunda, formada por prostitutas da ONG carioca Davida, se tornou a sensação do momento. Criada em 2005, passou a ser o centro das atenções quando do embate com a Daslu, que se sentiu ofendida com o nome de sua "concorrente", por considerar que a grife das prostitutas é um "deboche, visando denegrir a imagem da loja". O sucesso foi tamanho que a nova marca, mesmo não tendo sido convidada para participar da Fashion Rio - o que considerou preconceituoso -, atraiu os holofotes e roubou a cena de Gisele Bündchen, no desfile que fez em paralelo, no Circo Voador. Isso tudo leva a uma reflexão: nesse embate, quem saiu com a imagem mais fortalecida? Daslu, com uma atitude não tão politicamente correta ou Daspu, lutando contra o preconceito às "damas da noite"? Com certeza Daspu. Daí vem a contra pergunta: mas quem ganha e mora melhor? Hoje, Daslu; amanhã? Só Deus sabe... Embora o histórico aponte um novo caminho... o da atitude! Sendo assim, na Era do Conceito, que venham novas Daspu!
* Mandala é uma palavra Sanscrita para círculo de cura ou mundo inteiro. É uma representação do universo e de tudo que há nele. Khyil-khor é a palavra Tibetana para mandala e significa "centro do universo onde um ser totalmente iluminado habita". Os círculos sugerem totalidade, unidade, o útero, completude e eternidade.

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